Classificação segundo o mecanismo e as alegações
No Japão, não basta obter um «certificado de cosméticos» genérico para comercializar tintas para o cabelo. A via depende do mecanismo de coloração, descoloração ou remoção da cor, da fórmula e das alegações no rótulo japonês. A legislação distingue produtos quase-medicamentosos senmōzai (染毛剤) de colorações cosméticas senmōryō (染毛料). Uma aprovação estrangeira não determina a categoria japonesa.
A matriz permite escolher uma via provisória, sujeita à confirmação do responsável japonês pela autorização e comercialização (MAH). Os casos duvidosos devem ser discutidos com o serviço farmacêutico da prefeitura competente. Este texto não constitui aprovação de nenhuma fórmula.
Classificação segundo o mecanismo e as alegações
Determine se a cor resulta de oxidação ou de outra reação química, se o produto descolora ou retira cor, ou se há apenas deposição física de pigmento. A norma do MHLW de 2021 exclui expressamente do regime quase-medicamentoso a coloração direta por meios físicos simples, tratada como cosmético. Porém, um corante químico não oxidativo também pode ser quase-medicamentoso; «sem peróxido» não é prova de classificação. Avalie conjuntamente rótulo, publicidade digital e utilização em salão.
Matriz regulatória para cinco tipos de coloração
| Produto e função anunciada | Via japonesa provável | Verificação prioritária |
|---|---|---|
| Tinta permanente oxidativa em duas partes, incluindo cobertura de brancos | Quase-medicamento com aprovação específica | Componentes, corantes ativos, revelador, proporções de mistura e avisos de alergia |
| Descolorante ou removedor de tinta para cabelo | Quase-medicamento, mesmo sem depositar cor | Função anunciada, substâncias ativas e composição das partes |
| Corante químico não oxidativo | Possível quase-medicamento; não presumir cosmético | Mecanismo e enquadramento dos corantes não oxidativos no MHLW |
| Coloração ácida, máscara ou condicionador de depósito direto | Frequentemente cosmético se o efeito for só físico | Normas dos cosméticos, corantes permitidos e ausência de alegações quase-medicamentosas |
| Spray temporário, máscara ou stick para cabelo | Frequentemente cosmético; aerossol exige análise adicional | Utilização, fórmula, alegações e regras para gases sob pressão |
Ingredientes ativos e limites das fórmulas a misturar
Nos quase-medicamentos, compare cada substância ativa, concentração na utilização e função com a norma MHLW de 2021 para agentes de coloração capilar (tabelas 1, 2 e 2-2) e com as regras separadas de aditivos. A norma prevê sistemas de uma, duas ou três partes e, nas preparações relevantes, fixa 6,0 % de peróxido de hidrogénio no produto como máximo. Não se trata de autorização geral para qualquer fórmula a 6 %. Fora dos padrões, pode ser necessária análise aprofundada de eficácia, segurança e justificação da composição, sem proibição automática.
Existe ainda um limite conjunto distinto: quando são usados dois ou mais ingredientes ativos das colunas I-A ou I-C da tabela 2, a respetiva concentração total durante a utilização não pode exceder 5,0 %. Os limites individuais continuam a ser verificados. Este cálculo de 5,0 % não se confunde com o limite de 6,0 % para o peróxido de hidrogénio.
Não basta consultar as tabelas de aprovação de 2021: a lista de aditivos para tintas capilares foi alterada em dezembro de 2022 e as especificações japonesas de ingredientes de quase-medicamentos, em março de 2025. Para as especificações e métodos de ensaio abrangidos, a transição terminou em 30 de setembro de 2026. Desde 1 de outubro de 2026 aplicam-se, em princípio, as especificações revistas; manter as anteriores exige que a notificação prevista de alterações menores tenha sido apresentada até 30 de setembro de 2026. O titular japonês deve confirmar cada ingrediente e a autorização aplicável.
- Registar nomes, especificações e percentagens por componente, concentrações na mistura indicada, impurezas e estabilidade.
- Na via cosmética, verificar as Normas japonesas para Cosméticos, proibições, limites e regras específicas de corantes; a lista INCI estrangeira não chega.
- Ao alterar oxidante, precursor, agente de acoplamento ou tonalidade, confirmar nova submissão ou possibilidade de série; uma aprovação não cobre necessariamente todas as cores.
Responsável japonês e locais de fabrico de tintas capilares
Distinga licença do MAH japonês responsável pela qualidade e segurança, habilitações dos locais de fabrico, embalagem e armazenamento e procedimento por produto. O documento PMDA de agosto de 2025 descreve, para quase-medicamentos, licença MAH, aprovação do produto, formalidades das instalações, acreditação de fabricantes estrangeiros e inspeção BPF quando aplicável. A competência poderá caber ao MHLW ou à prefeitura. Cosméticos conformes e com indicação integral dos ingredientes seguem normalmente licença MAH e notificação do produto em vez de aprovação prévia individual.
- Marca estrangeira: contratar um MAH japonês devidamente licenciado; um importador comum poderá não preencher esta função.
- MAH japonês: supervisionar fornecedores, qualidade, segurança, pedidos/notificações e libertação de lotes no âmbito autorizado.
- Fabricante ou embalador: verificar licenças para enchimento, rotulagem, embalagem e armazenamento, incluindo requisitos de instalações estrangeiras dos quase-medicamentos.
Nas tintas cosméticas importadas, diferencie a notificação do produto à prefeitura territorialmente competente pelo responsável japonês da notificação, quando aplicável, do fabricante ou comercializador estrangeiro à PMDA. Não são equivalentes à acreditação de fabricantes estrangeiros no regime dos quase-medicamentos. Avalie separadamente o fabrico, o acondicionamento, a rotulagem e a armazenagem.
Dossiê por tonalidade e componente
Antes de fechar a arte-final, obtenha um dossiê para cada tonalidade e componente. Trata-se de uma lista operacional, não de uma afirmação de que cada prova é obrigatória em todos os pedidos:
- Composição quantitativa completa de cada base, revelador e tonalidade, identidade e impurezas dos corantes.
- Mecanismo, utilização no cabelo humano, proporção de mistura, tempo de atuação, enxaguamento e resultados alegados.
- Mapa de conformidade com regras de ativos/aditivos quase-medicamentosos ou Normas para Cosméticos e corantes autorizados.
- Especificações, rastreabilidade de lotes e fornecedores, estabilidade, compatibilidade da embalagem e provas químicas/microbiológicas adequadas.
- Avaliação de sensibilização aos corantes oxidativos, contacto cutâneo/ocular e uso incorreto; instruções para teste de alergia, se pertinente.
- Identidade, funções, licenças e acreditações de MAH, fabricantes, rotulador, importador e operador logístico.
- Projetos de rótulos e folhetos japoneses, códigos de cores, formatos, canais de venda e prova das alegações publicitárias.
Rotulagem em japonês, advertências e outros regimes
Não reutilize a embalagem europeia ou norte-americana sem revisão. Os quase-medicamentos exigem identificação e informações consistentes com a aprovação; os cosméticos requerem, em regra, todos os ingredientes. Verifique designação, MAH, lote, quantidade, instruções, advertências e demais elementos no recipiente efetivo. Publicidade enganosa também abrange venda online e salões. As orientações setoriais salientam o teste de alergia 48 horas antes de cada utilização de colorações oxidativas; os avisos legalmente exigíveis devem ser verificados em separado.
- Confrontar designações aprovadas ou notificadas, indicações e instruções de todos os componentes com os ficheiros finais.
- Incluir, quando aplicável, sensibilização, contacto ocular, reações anteriores, teste cutâneo e usos proibidos.
- Garantir coerência entre frasco, caixa, folheto, loja online e instruções de salão.
- No aerossol, verificar também gases sob pressão, embalagem e transporte; conformidade com a PMD Act poderá não bastar.
Casos fronteira: hena, salões, aerossóis e conjuntos
«Natural» ou «vegetal» não constitui uma classificação jurídica. Em 2026, o organismo japonês de defesa dos consumidores divulgou episódios de anafilaxia relacionados com corantes oxidativos em produtos com hena destinados a perucas. O nome comercial não prova segurança para utilização humana.
- «Hena»/«vegetal»: confirmar todos os corantes reativos, a superfície prevista e a publicidade; um artigo para perucas não deve ser anunciado como seguro para cabelo humano.
- «Uso exclusivo em salão»: o canal profissional não afasta automaticamente a PMD Act.
- «Conforme à UE», «FDA», «sem peróxido» ou «certificado» não substituem a classificação, o MAH e as autorizações/notificações japonesas.
Colocação de tintas capilares no mercado: alterações de fórmula, tons e rótulos
Cada etapa é condição da seguinte: um certificado posterior não corrige uma classificação inicial errada.
- Fixar utilização no cabelo humano, mecanismo, alegações, tonalidades e sistema de uma, duas ou três partes.
- Obter parecer preliminar escrito e esclarecer casos duvidosos com o MAH japonês e a prefeitura competente.
- Confrontar a fórmula com a norma adequada, identificar responsáveis e instalações e escolher aprovação ou notificação.
- Reunir provas de qualidade e segurança antes de fechar rótulos e publicidade em japonês.
- Comercializar só depois das autorizações, notificações e controlos de importação/libertação; reavaliar alterações à fórmula, fornecedor, tonalidade, componentes, alegações ou rótulo.
Fontes oficiais e matérias relacionadas
Regras gerais para cosméticos no Japão: Regras gerais para cosméticos no Japão. Comparação: tintas capilares nos Estados Unidos: Comparação: tintas capilares nos Estados Unidos.
Fontes oficiais e setoriais selecionadas:
- MHLW: norma de aprovação de tintas capilares (2021)
- MHLW: normas japonesas para cosméticos
- PMDA: fabrico e comercialização de quase-medicamentos (2025)
- PMDA: perguntas sobre classificação e cosméticos
- Alfândega japonesa: restrições à importação
- Centro japonês do consumidor: alerta sobre hena (2026)
- Associação japonesa de cosméticos: coloração capilar
- MHLW: alteração da lista de aditivos para tintas (2022)
- MHLW: especificações revistas e regime transitório (2025–2026)
- Prefeitura de Osaka: notificações de cosméticos e fabricantes estrangeiros
Perguntas frequentes
Todas as tintas são quase-medicamentos no Japão?
Não. Tintas químicas e descolorantes podem sê-lo; deposição exclusivamente física pode ser cosmética. A química não oxidativa requer avaliação própria.
Uma aprovação abrange todas as tonalidades e reveladores?
Não automaticamente. Documente cada tonalidade, substância ativa e combinação e confirme a norma de 2021 e as regras para séries.
Um revelador com peróxido a 6 % cumpre automaticamente?
Não. A norma de 2021 prevê 6,0 % no produto para preparações abrangidas, mas exigem-se também conformidade da fórmula, utilização e rotulagem.
É possível importar diretamente um produto conforme à UE para revenda?
A conformidade estrangeira não substitui MAH, instalações nem formalidades japonesas. Importações comerciais cumprem a PMD Act e exigências aduaneiras; isenções pessoais não autorizam revenda.
«Hena natural» ou «uso profissional» dispensam autorização?
Não. São decisivos ingredientes, mecanismo e utilização no cabelo humano, sobretudo quanto a corantes oxidativos em produtos com hena.